sexta-feira, fevereiro 10, 2006

[28 / Astonishing]

Quando tenho experiências de ponto máximo, apetece-me chorar de felicidade.
Pena que o sentimento ocorra durante breves segundos…
Como será partilhá-lo com outra pessoa?
Sentir a mesma intensidade, exactamente pelas mesmas razões, com timmings idênticos.

[27 / Breaking The Implicit Rules]

A meio de uma conversa de teor estritamente profissional recebi um elogio rasgado. Fiquei sensibilizado pela espontaneidade do momento.
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Tinha ido a um shopping comprar um DVD. Passei pelo cinema só para buscar um panfleto que indicava quais eram os filmes que estavam em exibição e a hora correspondente de cada sessão.
Ao iniciar o percurso inverso, vi um homem dirigir-se a mim. Ele aponta para o meu panfleto. Toca-lhe. Pega-lhe. Começa a falar.
Uma observação rápida faz-me constatar que estou perante uma pessoa a quem já foi certamente diagnosticada uma psicopatologia.
Remexe as pequenas páginas do meu panfleto enquanto diz qualquer coisa que não percebo. Eu respondo, dizendo “Sim, sim…”. Ele continua a falar: “A senhora disse que vai entrar este aqui. Olha. Este!”. Aponta para uma fotografia promocional do filme "Orgulho e Preconceito". Pressiona a unha do polegar contra a fotografia. Volto a responder “Ah, ok. Obrigado.”. Ele procura melhor por entre as páginas do folheto. Desiste da busca e diz “O outro que vai entrar, não sei o nome. Mas a senhora disse que era ‘Azul’. Não sei… Mas vai entrar. As sessões estão ali escritas.”. Aponta para um painel electrónico montado numa das paredes do shopping. Volto a agradecer, digo que também não sei quais serão os filmes que estariam para estrear no dia seguinte. Ele devolve-me o panfleto e eu vou embora.

A beleza deste episódio traduz-se no facto de um estranho me querer apenas ajudar de certa forma, ao ver-me procurar informação sobre os filmes exibidos naquelas salas de cinema. Independentemente de me conhecer ou não.
O lado mais escuro deste episódio reside na minha vivência na selva urbana, que fez com que no momento em que o vi aproximar-se de mim, instantaneamente me tenha vindo à memória a imagem da abordagem idêntica que um rapaz teve para comigo quando me tentou roubar o telemóvel no Verão passado.
Também durante os breves segundos deste momento, lembro-me de pensar que a "sessão de esclarecimento" se iria prolongar por minutos, dado que estava a ser vítima de um programa de apanhados…
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Mal entro naquele café novo, noto que a empregada parece estar um pouco agitada. Sento-me com duas amigas. Ela surge com três listas. Entrega-nos e fica no mesmo local à espera que nós digamos o que queremos. Fico um pouco constrangido, porque isso costuma fazer com que eu não me demore muito na selecção.
Cada um dos nossos pedidos serviu para ela falar um pouco connosco. Isso é algo a que claramente não estamos habituados, especialmente quando a pessoa que faz isso nunca nos viu na vida.
Ela vira costas para ir buscar as bebidas que nós pedimos; nós sorrimos entre nós, confusos.
O regresso com as bebidas foi igualmente prolongado, sendo nós uma vez mais brindados com conversa.
Minutos depois, no fim da nossa estadia naquele local, quando estávamos prestes a levantar-nos, ela passa pela nossa mesa e vê lá pousados dois bilhetes de comboio. Pára e mete conversa acerca das viagens de comboio, compara as viagens de comboio com as viagens de autocarro, diz que já foi tropa e fala dos vários tipos de clientes que ela já serviu naquele café: desde os simpáticos aos antipáticos.
Saí de lá notoriamente confuso, mas ao mesmo tempo a admirar a capacidade dela em conseguir criar conversas com pessoas que lhe são completamente estranhas.

quinta-feira, fevereiro 09, 2006

[26 / 1000th Sneak]


Aconteceu. Neste preciso momento.

quarta-feira, fevereiro 08, 2006

[25 / The Cost Of A “Click” In An Isolated Techno Shrine]

Um dia vou ter dinheiro para esbanjar superfluamente no arrendamento de uma discoteca munida de um excelente sistema de luzes, e vou conseguir exprimir visualmente a pureza que me transcende quando ouço techno de qualidade.

Please give me sound, lights and smoke.
And I’ll be proud of such a photo session!

[24 / Corrosive]

Ele sacrificou as ilusões que tinha para com uma paixão anterior que nunca deu mostras de ser correspondida. Pensava que tinha chegado o momento ideal para se descartar dessa prisão que se arrastava por anos.
Mexeu-se.
Conheceu-a virtualmente, tal como mandarão os bons costumes num futuro não muito longínquo. Sentiu-se fascinado ao ponto de a querer conhecer.
Partiu.
Quando regressou tinha os horizontes embaciados e a mente cheia de certezas. Estava condenado a uma rotina dolorosa: perder-se em fantasias de paixões idealizadas e ser atirado para as lâminas da percepção de que não pode tentar ter relações duradouras quando nunca teve estrutura para acompanhar a velocidade da génese das relações interpessoais íntimas contemporâneas.
Por enquanto recusa qualquer perspectiva que lhe faça reatar as fantasias, mas a passagem do tempo vai fazer com que cometa os mesmos erros... Até conhecer outra pessoa que mais tarde ou mais cedo o rejeite da mesma forma.
Sim, a sua vida íntima resumir-se-á a este pêndulo. Ele é previsível.
Custar-lhe-á sempre caro violar inconscientemente as expectativas que são tecidas sobre si.

Entretanto, nós vivemos os nossos desafios, completamente alheios à história deste rapaz que vive do outro lado do mundo das facilidades.

terça-feira, fevereiro 07, 2006

[23 / Who Are We?]

Estranha espécie, esta a nossa.
Enchemo-nos de rodeios e formalidades quando na verdade o que queremos é dizer tudo aquilo de positivo que nos vem à cabeça. Iríamos agradar a quem ouvisse essas palavras sinceras. Mas fazemos tudo mal…
Temos sempre medo das consequências.
E a verdadeira mensagem que queremos transmitir nunca chegará a ser descodificada porque foi exageradamente pensada e camuflada antes de ser enviada.

Por tudo aquilo que pensei, mas não disse, nem nunca direi.

quinta-feira, fevereiro 02, 2006

[22 / Production]

Todos nós nos queremos divertir.
Todos nós fazemos um esquema mental de como nos queremos apresentar nessa noite.
Todos nós esperamos que desta vez o conjunto final atinja a sua meta.

No entanto aparecemos todos lá da forma mais natural e banal possível.
Vamos lá pela música (certamente), mas isso não nos chega.

(Uma apresentação física que levou o seu tempo a ser estruturada em casa.
O número de vezes que se voltou a pentear o cabelo.
Os minutos queimados na fase de preparação, verificação e aprovação.
A saída de casa, a conta-gotas, de cada uma das pessoas que estão agora presentes na discoteca.)

Todos nós temos as nossas razões para estar lá.
Todos nós precisamos de alguém que nos apoie.
Todos nós esperamos que aquela noite seja memorável.

Bebemos álcool para nos divertirmos, para ficarmos desinibidos, e para conseguirmos transpor a imagem de que podemos estar vulneráveis face a tentativas indiscretas de conhecimento interpessoal. Isso é capaz de dar confiança à outra pessoa.

Todos nós esperamos ser abordados.
Todos nós queremos dar o beijo.
Todos nós esperamos que aquela seja a noite em que vamos sair de lá com a nossa alma gémea.

E no final da noite, continua a ser a "produção" a única que nos acompanha em todas as noites de glamour : sempre fiel, do início ao fim.

domingo, janeiro 29, 2006

[21 / Hidden]

Nem a rapariga mais bonita da discoteca (e de outro qualquer local) se consegue destacar na multidão de pessoas. Ela apenas consegue nutrir (sem o saber) fascínio nos outros quando estes a vislumbram, caso contrário poderiam estar ao lado dela sem nunca saber que ela nos prende sem ter de fazer muito.
A nossa influência periférica é muito reduzida, e o único modo de expandi-la é certamente através dos mass media.
Isto serve de aviso para mim próprio: nem a pessoa mais bonita consegue ser perfeita.

sábado, janeiro 28, 2006

[20 / An Effort To Change The Probability Of The Occurrence Of A Random Phenomenon]

Não te importavas de conduzir a noite toda no meio daquele labirinto chamado "cidade". Desde que conseguisses voltar a ver uma nesga daquele carro que tanto anseias conhecer...
Talvez um dia consigas. Estando ambos sozinhos.

[19 / Lost In Rotation]

E se um dia formos capaz de saltar, mantermo-nos a levitar e esperar (pacientemente) que o movimento de rotação da Terra nos leve a lugares longínquos?
Esse fenómeno fazer-nos-ia percorrer grandes distâncias, não fugindo nós nunca ao minuto de altitude terreste.
Como portugueses, teríamos como primeiro destino certo os EUA.
De um modo mais específico, eu como vianense, teria acesso a uma free ride aos EUA, Japão, Coreia do Norte, China, Quirguistão, Uzbequistão, Cazaquistão, Turquemenistão, Azerbeijão, Rússia, Geórgia, Turquia, Grécia, Bulgária, Macedónia, Albânia, Itália e Espanha.
O mais fascinante de tudo isto é pensar que poderia visitar facilmente a cidade de Nova Iorque. Mas depois surgiu-me a dúvida: qual a cidade mais indicada para isso: Viana ou Braga?
A resposta surpreendeu-me. O local ideal é mesmo a zona norte da ria de Aveiro...
Se eu partisse de Viana, iria ter directamente a Massachussets...

Ou talvez estes cálculos estejam todos errados porque me baseei em mapas planos que desrespeitam a inclinação da esfera terrestre...

segunda-feira, janeiro 16, 2006

[18 / Million Dollar Honey]

(Sugestão para milionári@s que queiram "dar o nó")

Ele é milionário e quer pedir a namorada em casamento.
Leva-a a uma livraria e diz-lhe: "Escolhe um (e apenas um) livro de todos os que por aqui encontras. Depois compra-o, pede para embrulhá-lo e vem ter comigo para irmos juntos para casa. Leva o meu cartão de crédito. Lembra-te: se estiveres indecisa, faz a selecção, lendo apenas a contracapa.".
Ela percorre os corredores da livraria, escolhe o livro, paga-o, pede para o embrulhar e vai ter com o namorado.
Vão juntos para casa, levando o presente consigo.
Ele diz-lhe: "Agora desembrulha-o e abre-o na página cem".
Ela obedece e para além de ficar espantada com o que vê, fica também encantada com o facto de o namorado conhecer realmente os seus gostos.

À medida que uma futura noiva abre um livro na página cem e repara que lá existe uma folha colorida com a expressão "Queres casar comigo?", não muito longe dali, numa livraria, várias pessoas se encontram atarefadas, retirando uma folha com a expressão "Queres casar comigo?" da página cem de todos os exemplares que aquela livraria tem à venda.
Mais tarde essas pessoas serão remuneradas, não só por exercerem esta árdua tarefa, como também por terem simulado serem clientes aleatórios de uma livraria que tinha sido alugada durante algumas horas por um milionário apaixonado.

segunda-feira, janeiro 09, 2006

[17 / Caution]

A efervescência de certos actos faz-me pensar no conceito de prudência, e guardar na memória as palavras que foram escritas a quente.

sábado, dezembro 31, 2005

[16 / Passage Of Time As A Cliché]

Enquanto ainda subsistem trinta minutos de 2005, considero pertinente fazer uma referência às minhas expectativas passadas.

Era fim de ano de 1999. O ano 2000 parecia algo de transcendente. E eu pensava que as pessoas seriam muito melhores a partir do momento em que se desse a mudança de ano; todos teriam a consciência de que se a partir daí mudassem para melhor, o mundo seria um local mais agradável.
Mas que erro, João...

Hoje é fim de ano de 2005. Cada vez que leio frases do género "Que o melhor de 2005 seja o pior de 2006", apetece-me distribuir por todo o mundo autocolantes com a palavra "cliché".

sábado, dezembro 17, 2005

[15 / Unskilled]

Começa a ser cada vez mais evidente ... a percepção que tenho das minhas falhas ... quanto às minhas capacidades de sociabilidade afectiva ... quando estou acompanhado por uma pessoa interessante.
Puxo assunto e desenvolvo conversas ... mas definitivamente não me sinto com competência para exceder essa fronteira ... não levando a socialização para outros campos igualmente interessantes.
E o único prejudicado sou eu.
Ou não chega a acontecer, ou acaba rapidamente.

Definitivamente preciso de prática. Preciso que puxem por mim quanto a esse aspecto.

[14 / This Pure Relax]

Sim, estou bem.
O pior já passou... Afinal o (Neurociências 1) que são cinco exames e uma oral no meu (Psicologia da Personalidade) futuro próximo? Nada de especial.
Vou fingir que o meu último relatório do semestre já (Introdução aos Métodos Quantitativos em Psicologia) está redigido, e libertar-me de todos os pensamentos relacionados com o trabalho que me tem percorrido a mente nos últimos meses.
Ahhhh... Férias! As verdadeiras (Intervenção Individual 1) responsáveis pelo meu estado de tranquilidade. A época em que nunca me deixo perturbar por assuntos (Psicologia da Aprendizagem) profissionais.
Fácil e garantidamente se comprova isso!

quarta-feira, dezembro 14, 2005

[13 / Stupidity And Happiness]

Não é raro deambular pela universidade e ver pessoas com cara séria ou triste. Chego mesmo a ver pessoas a chorar. O problema não é certamente da universidade, porque os não-universitários exibem o mesmo comportamento. Nem do país, porque no estrangeiro a situação é idêntica. Nem mesmo os meus professores doutorados afirmam ser felizes.
Mesmo aqueles comentários simpáticos que por vezes tecemos uns aos outros parecem não ter grande impacto...

Procuramos todos o mesmo, mas não o conseguimos encontrar. Fazemos ciência mas continuamos infelizes.
E chego à conclusão de que tenho momentos de extrema felicidade em curtíssimos períodos de tempo: aqueles em que não me importo de me sentir estúpido por ver/sentir algo de irrelevante que me cativa.
Não quero perder nunca esta capacidade de "fast-happiness".

Uma árvore despida com o formato de uma árvore de natal (daria uma boa árvore natalícia experimental) / A mudez com que os desconhecidos caminham nos corredores, com velocidades diferentes / Uma música que me martela o pensamento a caminho das aulas (com a consequente vontade de a cantar bem alto) / Um sorriso meu pela leitura das palavras (escritas a marcador preto) "Tó Carro" num sinal de trânsito que assinala a presença de uma paragem de autocarros / O deslize do meu corpo pelo assento de uma cadeira da biblioteca, para ver até que ponto as pessoas que estão na mesa em frente me dão atenção / O riso de uma pessoa com os olhos cravados num monitor estático / Sentir-me parado no tempo, vendo os outros fluir / (tanta coisa...)

[12 / Spread]

Sucesso notório quanto ao meu post anterior...
Para além de ter tido referências cibernéticas, até na biblioteca da universidade se fazem exercícios do mesmo género!

("E foi a casa buscar fotocópias"... Lol!)

segunda-feira, dezembro 12, 2005

[11 / Patterns Of Invisible Interaction]

A -> B -> C

A sente algo por B.
B sabe disso, mas nutre fascínio por C.
C tem uma noção disso, mas não interage com B.
C e A não se conhecem.
B fala com A, mas não com C.
B tem um blog chamado "Sensibilidades Plausíveis".

quarta-feira, dezembro 07, 2005

[10 / Pleasure]

É isso o que sinto quando vejo que uma sessão fotográfica me correu bem.
Sendo assim, esta segunda-feira à noite obtive prazer.
=)

segunda-feira, dezembro 05, 2005

[9 / Selectively Spoiled]

Quando as obrigações apertam, certos comodismos decaem.
Mas não há nada melhor para recuperar a saúde mental, do que nos mimarmos com aquelas pequenas coisas que tanto gostamos de fazer.
Gastar uma noite navegando-se na internet pode perfeitamente ser uma dessas coisas.
Outra é ficarmos (parcialmente) submersos numa banheira de água quente, enquanto ouvimos aquele cd que tanto nos espicaça a auto-consicenciosidade.
:)